Quem sou eu

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Que ecos são esses que me aprisionam? Eu falo e sinto os sons do passado. São ecos meio dissones. Como se eu lembrasse apenas dos instantes: instante infinito. Uma amnésia particular que só eu e eu vamos lembrando aos poucos e esquecendo novamente. E aí eu canto dissonante e renasço a cada lembrança que vem de outrora e do futuro também: por isso sou caleidoscópico. Eu giro e giro. Mudo de cor. E Deus com seu diapasão dá o tom perfeito. Só que eu sou rebelde e insisto desafinado. Aí os ecos voltam novamente, por insistência minha, só para eu sentir Deus mais uma vez.
"...Uma poça contém um universo. Um instante de sonho contém uma alma inteira." Gaston Bachelard

O MAR DE GALEANO


O MAR DE GALEANO

Ouvindo Canção do mar, na voz de Dulce Pontes

- Me ajuda a olhar o mar! A sentir a beleza que dentro dele inspira à vida. E se liberta no momento em que escuto o seu barulho, através de uma concha sem pérola, porque a beleza está no som e não na dor. Mas preciso parir algo dessa inspiração. Mesmo sabendo que parir é um estado dolente e que a felicidade também está no sofrimento: no ato de parir. Me ajuda a olhar o mar! A ser como marinheiro esperando a embarcação dos que buscam amor pela beleza das tuas águas rutilantes e doce, apesar da salinidade produzida. Me ajuda a olhar o mar!”. Foram essas as últimas palavras que ouvi quando da sua morte. Ele me olhou fixamente ao pronunciá-las. E me veio com uma força enorme, como as ondas desse mar borbulhante. Talvez eu não tenha entendido de início, pois o cardume de amontoados de palavras me tapavam os ouvidos e a minha visão não enxergava a beleza dessas águas-palavras. E dançava cadenciado semelhante a ondas: vai e vem... Será que enlouqueci? Em que hospício me encontro? Foi quando descobri e pude perceber que havia fechado o livro de Galeano: eu havia abortado o mar e perdido a visão. Eu era um artista tentando redescobrir a minha função no mundo. Meu personagem havia morrido. Enquanto o mar dormia queria entender as nuances e os desatinos desse novo personagem. Tentava renascer na ressaca da maré em noite de lua cheia. Ah! Galeano, preciso novamente parir , quem sabe uma estrela desse teu mar, imenso mar, ou seria um oceano? E vou tocando delicadamente, escutando e sentindo a maresia, o marulhar dessas ondas. De joelhos nas areias em posição de oração vou abraçando o livro-mar de Galeano e suplicando: Me ajuda a olhar novamente o mar!


Dayvson Fabiano





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1 comentários:

Edilma Maria disse...

Lindo, amigo! Que 2015 seja doce! Saudades suas! Beijos

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