Quem sou eu

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Recife, PE, Brazil
Que ecos são esses que me aprisionam? Eu falo e sinto os sons do passado. São ecos meio dissones. Como se eu lembrasse apenas dos instantes: instante infinito. Uma amnésia particular que só eu e eu vamos lembrando aos poucos e esquecendo novamente. E aí eu canto dissonante e renasço a cada lembrança que vem de outrora e do futuro também: por isso sou caleidoscópico. Eu giro e giro. Mudo de cor. E Deus com seu diapasão dá o tom perfeito. Só que eu sou rebelde e insisto desafinado. Aí os ecos voltam novamente, por insistência minha, só para eu sentir Deus mais uma vez.
"...Uma poça contém um universo. Um instante de sonho contém uma alma inteira." Gaston Bachelard





I have nothing, If I don't have you…

À Whitney Houston

Não sei onde você está agora. Só sei que choro tentando suprir sua ausência. De alguma forma busco você pelas músicas que me transformaram certa vez num guri. Seria pouco demonstrar o quanto sinto por sua ida para uma nova região. Quem sabe você sofra menos de uma possível dependência, dependência essa que acabou com a sua vida. Difícil suprir esses vazios, né? E ainda acham que é fácil. Nem todo mundo é frágil como você, amiga. Sua voz já não era a mesma. E ainda a ouço me alimentando de lembranças daquela época em que me sentia protegido, pois você com sua melodia me protegiam dos demônios que me perseguiam: eras minha guarda-costas. Exatamente como aquele filme que brilhastes tanto e, que, nos levou a vários lugares e estações de amor real. Hoje te escrevo tentando fazer com que algum anjo venha até mim e receba essa mensagem que ora escrevo a ti. Que ele seja a ponte entre nós, levando essa mensagem.  I have nothing, If I don't have you… Restou um buraco essa tua ausência repentina…Estou vazio… Quero colocar flores em teus vazios, Whitney. Flores pra você...pra nós!



Saudades…saudades!


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Bemóis e sustenidos - Explode Coração

Explode Coração

Gonzaguinha

Chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder
O que não dá mais pra ocultar e eu não posso mais calar
Já que o brilho desse olhar foi traidor
E entregou o que você tentou conter
O que você não quis desabafar e me cortou
Chega de temer, chorar, sofrer, sorrir, se dar
E se perder e se achar e tudo aquilo que é viver
Eu quero mais é me abrir e que essa vida entre assim
Como se fosse o sol desvirginando a madrugada
Quero sentir a dor desta manhã
Nascendo, rompendo, rasgando, tomando, meu corpo e então eu
Chorando, sofrendo, gostando, adorando, gritando
Feito louca, alucinada e criança
Sentindo o meu amor se derramando
Não dá mais pra segurar, explode coração...


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Silêncio e sons

À amiga Conceição Santos
Ouvindo “Outro Quilombo”, de Mônica Salmaso

Ela vezenquando era mulher-menina, menina-mulher. Assim mesmo, tudo muito tênue e como a rapidez da luz. Havia uma fronteira entre esses dois tempos: fase infantil e fase adulta. Sua vida era musical. Quando estava na fase menina dançava reluzente pela avenida, becos e ruas. Na fase adulta, dançava numa cadência particular. Somente ela percebia e sentia o fulgor da música. Qualquer batuque ou barulho era motivo para uma embolada. Suas mãos acompanhavam essa harmonia dos ritmos. Dançava muito mais com as mãos do que com os pés. Imagine isso com os olhos fechados ao som de uma música. Girava mexendo os punhos para que suas mãos falassem. Transformava-se numa atriz, dançarina, alguma entidade mística ou um simples pirilampo. Isso, ela tinha luz própria. O seu sangue vinha da negritude na pele branca e frágil como a sua própria sensibilidade. Ainda tinha perguntas não respondidas desde a infância. Uma vez quando criança perguntou a sua mãe: “mamãe, por que quando a gente pisa na poça de água ela fica girando?” Sua mãe a olhava e apenas sorria. Não havia uma resposta. Na verdade nunca há respostas para as coisas, elas simplesmente acontecem independentes de. Há uma imensa fronteira entre essa vivacidade. Quando chegava à noite ela saía correndo para o mar para restaurar sua alma e quem sabe se tornar uma sereia, pois sua beleza e canto acordavam os deuses: uma Afrodite humana se fazia presente. Ela se sentia em dois céus e enxergava duas luas: ao olhar para cima e ao olhar pelo reflexo das águas e ainda conseguir tocá-la. E nesses momentos se refugiava dentro do seu quilombo interior para abarcar a sua própria felicidade.
Ao amanhecer, ia novamente à praia para brincar com a sua solidão e a escrever palavras fragmentadas nas areias para que as ondas levassem os seus mais íntimos desejos.  Saía novamente girando pela praia a escrever poemas nas areias com apenas um pedaço de madeira. Lembrava-se de sua mãe quando ela declamava poemas de Casimiro de Abreu ou quando lia “Capitães da Areia”. Sua nostalgia era silenciosa. Aí chorava e sentia a água salgada em sua boca. Era o próprio mar, tinha a alma de um oceano.  Passados esses momentos de solidão, voltava-se a vida normal de sempre. Só que a música estava a todo tempo em sua vida. Tentava de alguma forma encontrar a música que fizesse sintonia com a da sua história e só a encontrava, pelo menos momentaneamente, no momento em que voltava a sua infância e lembrava-se de sua mãe. Só que nem mesmo o seu imenso amor pela mãe era necessário para sintonizar a música perfeita: faltava o desprendimento e o acreditar no depois de.
Próximo à sua casa havia uma ferrovia antiga. Brincava que cruzava as trilhas e ia pra outros lugares, talvez ao mais puro recôndito de sua alma.  Ela continuava escrava das suas lembranças e pensava musicalmente: “Dor, reluz em mim fazendo sol no meu silêncio”. E ficava esperando o trem que nunca chegara. Somente o silêncio se fazia presente. Foi novamente à praia, seu refúgio. Sentia o calor do sol penetrando por sua pele e ficou de joelhos a louvar aquele imenso mar que estava diante de sua vista. E escreveu na areia uma mensagem. Só tinha nesse momento de agora a escrita, que estava a seu favor: a palavra era a sua memória mais permanente. Ela escreveu na areia: “Faço-me silêncio e espero o som do teu amor”. As ondas vieram e como sempre levaram o seu pedido. Todo o cosmo se fez silêncio nesse instante. De repente fez-se chuva. Não acreditava no que estava acontecendo. Chorou muito e seu choro misturou-se com a chuva. Os pingos caíam em harmonia tocando a música de sua vida e bailando em sintonia com as lembranças que margeavam a sua alma.  Era chuva com sol. Era quente. Era o amor que falava. Era o “sim”. Foi acolhida: concebida de silencio e sons e batizada pelo (a)mar.


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Ouvindo Whitney

Essa música me toca de uma forma que não sei explicar. Estou sozinho pensando em você. Chegaste de um jeito tão insuspeitado em minha vida. Apenas um “Psiu” e tudo mudou. Isso foi em maio, mês das noivas. Não, não quero casar. A culpa é sua. Tinha que haver um culpado. E foi você... Não sei o que fazer. Penso em você a todo instante. Isso se torna infinito. Não, não quero mais isso. A culpa é sua. Parece que estou fazendo uma tradução de uma música romântica. Tão clichê isso. A gente tenta ser tão crítico tão seletivo, mas acaba sendo clichê e sempre estando num lugar-comum. A culpa é sua. Não, não é sua. É minha que insisto desafinado, mas você ajuda e muito. A culpa é nossa. Que culpa boa. E você me disse: “Onde você estava esse tempo todo?” Eu não acreditei no que ouvira. Chorei, chorei muito. Acho que me apaixonei. Marcamos um encontro ao cinema. Antes conversamos e li pra você o que havia escrito de você pra você: em nós. Aí você me contou algo que pra mim era novo. Não. Não estava pronto pra escutar aquilo. Fomos assistir ao filme. Que filme horroroso. Péssima escolha. Ficamos mudos. Você estava numa agressividade que eu não entendia, ou pelo menos tentava entender. O que fiz de errado? Acho que falei algo desagradável, mas não tenho como saber: você não fala. E ficou em silêncio profundo por dias, semanas e mês. E foi aos poucos falando. Eu estava num diálogo de surdos. A resposta vinha de mim mesmo. A culpa é sua. E não sei o que realmente queres de mim. Tudo poderia ser tão simples. Estou de braços abertos. Lembras da maçã preste a ser colhida? Ainda espero o seu acolhimento. Só não quero apodrecer. O tempo corre e eu continuo sendo o teu guri. A tradução de um trecho daquela música é assim: “Eu não tenho nada, nada, nada/ Se eu não tenho você”. A culpa é sua, na verdade é minha, que ainda insisto e insisto...

Dayvson Fabiano
Setembro/2011


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Bemóis e Sustenidos - Love Is A Losing Game

 
Aqui vai uma homenagem a uma das melhores cantoras da atualidade, que faleceu hoje (23/07/2011). Segue abaixo uma das músicas que eu mais escuto, principalmente pela voz de Amy e melodia da música.

Love is A Losing Game

Amy Winehouse

Composição: Amy Winehouse
For you I was a flame
Love is a losing game
Five story fire as you came
Love is a losing game
Why do I wish I never played
Oh, what a mess we made
And now the final frame
Love is a losing game
Played out by the band
Love is a losing hand
More than I could stand
Love is a losing hand
Self professed... profound
Till the chips were down
...know you're a gambling man
Love is a losing hand
Though I'm rather blind
Love is a fate resigned
Memories mar my mind
Love is a fate resigned
Over futile odds
And laughed at by the gods
And now the final frame
Love is a losing game

TRADUÇÃO

O Amor É Um Jogo de Azar
Pra você eu fui um caso
O amor é um jogo de azar
Cinco andares se incendiaram quando você me amou
O amor é um jogo de azar

Como eu queria nunca ter jogado
Oh, que estrago nós fizemos
E agora o lance final
O amor é um jogo de azar.

Desgastado pela banda
O amor é uma aposta perdida
Mais do que eu poderia aguentar
O amor é uma aposta perdida

Declarado... intenso
Até o encanto se quebrar
... e notar que você é um jogador
O amor é uma aposta perdida

Apesar de estar bastante cega
O amor é um resignado destino
Lembranças denigrem minha mente
O amor é um resignado destino

Acima de inutéis expectativas
ridicularizado pelos deuses
e agora o lance final
O amor é um jogo de azar





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Bemóis e Sustenidos - Presente Passado

Presente Passado

Isabella Taviani

Composição: Isabella Taviani
Ai essa saudade no meu peito
Esse vazio de você
Ai esse meu jeito meio feio
De não saber lhe perder
Você se foi sem dizer
Onde podia encontrar
Uma razão viver
Você podia me deixar
Mas o tempo passou e essa dor não cessou
Há descaminhos em meus passos
Uma sombra que abraço
Um presente passado
Uma vontade tamanha de não ter mais vontade
Não admiro os covardes mas agora é tarde
Ai o tempo frio que me esquenta
A boca seca que me tenta
Ai o véu da noite que alumia
É meia noite em meio dia
Você se foi sem deixar
A chance de se ver voltar
Uma razão pra esquecer
É o que ficou em seu lugar
Mas o tempo passou e essa dor não cessou
Há descaminhos em meus passos
Uma sombra que abraço
Um presente passado
Uma vontade tamanha de não ter mais vontade
Não admiro os covardes mas agora
Há descaminhos em meus passos
Uma sombra que abraço
Um presente passado
Uma vontade tamanha de não ter mais vontade
Não admiro os covardes mas agora...
É tarde


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FRAGMENTOS NA MADRUGADA

Ao som de “ Run to you”, na voz de Whitney Houston

: Psiu! Essa foi a mensagem que recebi, depois de ter passado o domingo todo no caos. Apenas ri ao ler. Quer dizer: fiquei encantado. Nunca um psiu fez tanta diferença em minha vida. Algumas horas depois, recebi outra mensagem: Psiu 2. Fiquei encantado 2 vezes. Logo em seguida o meu celular tocou:
- Oi, guri!
Nunca, nunca mesmo me chamaram assim. Meu nome? Não o tenho, pois podem me transformar em uma coisa que eu não quero. Dêem o nome que quiserem.  Até porque, agora me chamo “guri”. Alguém me intitulou assim. Foi você:
- Você me transformou num menino.
- Isso não é bom?
- Acho que sim.
- ideia de alegria e sorrisos e molecagem e pureza.
            Conversamos um pouco e perguntei:
- Quando enviarás o 3º psiu?
- Hoje após as 23:00h
Despedimo-nos e foi assim que desliguei o celular, na verdade foi você que assim o fez, eu continuei com o celular ao ouvido esperando um eco de sua voz. Será que você também quis escutar meus ecos? Não poderia deixar que você o fizesse, pois descobriria mais de mim.
...
...
            Fiquei esperando e nada.  Era mais ou menos meia noite. De repente chega uma mensagem no meu celular vindo de você: Cheguei em casa. Será que isso era o 3º psiu? O celular toca:
- Oi, guri.
            Ouvir isso me deixava encantado. Eu já falei isso antes, porém gosto de ser redundante. Ser chamado de guri por alguém 10 anos mais jovem que eu rejuvenescia minha alma.
- Você realmente tem uma voz boa para trabalhar com telefonia. Eu disse.
- Nada disso. Haja paciência com os clientes. (Pausa) Adoro escutar sua voz.
- Por quê?
- Não sei explicar.
- Eu te explico. Tenho o dom de tocar na alma.
- Falas coisas que me aproximam mais de ti
- Faça-me alguma pergunta?
- prefiro te ouvir.
- falo muito.
- Prefiro assim. A não ser que me perguntes.
- Não tenho perguntas.
- então fale.
- Tudo bem, eu perguntarei. O que está lendo nesse momento?
- “O outro lado da meia noite”, de Sidney Sheldon.
-  hum... eu...
- deixa te dizer algo.
- Pensei que você queria me ouvir. Tudo bem, diga.
- Quando eu for trabalhar sentarei e ficarei pensando em ti, guri. O meu trabalho fica num prédio em frente ao seu. E pensarei em nós dois. O que divide o meu prédio do teu é apenas um rio com águas verdes, talvez indicando esperança.
            Eu fiquei pensando no que ouvira. Como você me surpreende. Fiquei olhando sua foto e a sua boca. Beijei-a, só podia ser assim, pelo menos por enquanto. E você nesse momento estava realmente falando ao meu ouvido, pelo celular, mas estava. Isso é fato. Perguntei se podia ler algo que por acaso havia anotado dia desses, apesar de não acreditar que o acaso exista. Eu disse isso a você. As coisas simplesmente acontecem. Só que fiquei com vergonha de começar a ler. Acho que na verdade não era vergonha, e sim, plasticidade. Falo no sentido de ser ouvido e depois ser jogado fora. Queria era ler olhando pra você, assim tipo me vendo em seus olhos. Aí você falou que eu não ficasse com vergonha. E li o texto do escritor Caio Fernando que dizia assim: “...e de tudo
indo embora e fugindo e se perdendo — e o amor sem acontecer, quando estou
assim todo maduro, e limpo, e pronto, e luminoso como uma maçã no galho,
pronta para ser colhida. Ninguém estende a mão para a maçã, pouco antes de
começar o processo de apodrecimento.” Ficamos em silêncio. Quase que as lágrimas desciam de mim: não quero apodrecer! Você falou-me de profundidade. Aí pensei: alguém tocará em meus vazios? Não. Ninguém consegue. É muito obscuro e abissal. Você olhou-me nos olhos, pelo menos foi assim que imaginei com o celular ao ouvido e disse-me: fiquei feliz pela leitura. Foi aí que você falou que era hora de dormir:
-Você concorda?
- Tudo bem, vamos!
            Despedimo-nos, trocamos beijos e xaus. Desligamos-nos, pelo menos materialmente, pois espiritualmente continuávamos ligados... Ainda disse a você:
- Depois te colocarei um nome, já que me transformastes em algo que acreditavas ou acreditas que eu seja.
            Mandei uma mensagem ao teu celular: Por enquanto, agora, meus vazios são flores. Obrigado!
Você respondeu-me:
- Psiu... bons sonhos.
            E...
Dayvson Fabiano
Maio/2011


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